Estava folheando o livro "Holocausto Brasileiro - Vida, Genocídio e 60 mil mortes no maior Hospício do Brasil" quando me deparo com uma história que muito chamou minha atenção. Entre tantos relatos tristes, casos de abandono, segregação e prisão de subjetividades, me encontro lendo e relendo uma das partes do texto em que Daniela Arbex, autora do livro-reportagem, traz em memória um pouco da vida de uma mulher guerreira, que com muito pouco soube GRITAR por sua liberdade.
Não há muito sobre Conceição Machado para ser explorado, mas o pouco que foi descrito foi suficiente pra perceber a grandiosidade dessa mulher. Quem dera sua vida fosse outra, ao lado dos seus familiares e amigos, mas não, uma sociedade que ainda julgava e jogava tudo pra o LOUCO, tomou toda sua liberdade.
Conceição passava longe da loucura, assim como muitos encarcerados no Hospital Colônia. Talvez, quem sabe, se a reforma tivesse sido um pouco antes, sua vida hoje fosse diferente. Talvez ela se tornasse uma militante, uma mãe, dona dos negócios do seu pai. Muitas possibilidades lhe foram tiradas, mas a maior de todas não conseguiram, seus sonhos ainda eram vivos. Como diria Oswaldo Montenegro em sua canção "Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio"
O ambiente do Hospital era humilhante, dos tratamentos mais bárbaros que se possa imaginar. A vida era reduzida a nada, com pouca luz e higienização. Ratos eram donos da casa, faziam festa e se lambuzavam com os restos que sobravam. Este foi o lugar em que Conceição, desde os 15 anos, passou a viver. Numa época em que mulher não tinha muito direito, um grito de insatisfação era ecoado no meio de guardas raivosos, parecia quase que um insulto.
Foi vomitado naquele lugar toda raiva, injustiça e despreocupação com a vida alheia. Conceição jogava tudo pra fora como forma de se libertar das amarras impostas, pelo abandono e pelas negligências sofridas dentro de um local que deveria ser de acolhimento. Ninguém entendia aquela mulher, afinal, era apenas mais uma louca querendo aparecer.
A vida de Conceição Machado é exemplo de luta e coragem. É por ela e por tantos outros que tiveram seus direitos roubados, que nós, jovens de luta, trabalharemos nesse VER-SUS de inverno 2015 "Fazendo Ciranda na Roda da Loucura", desejosos de uma reforma psiquiátrica mais ativa, de uma RAPS efetiva e de qualidade. Partindo da vida de Conceição, queremos atingir outras vidas. Acolher outras histórias, dançar na ciranda da loucura, desconstruir paradigmas e lutar por uma saúde pra todos.
Conceição passava longe da loucura, assim como muitos encarcerados no Hospital Colônia. Talvez, quem sabe, se a reforma tivesse sido um pouco antes, sua vida hoje fosse diferente. Talvez ela se tornasse uma militante, uma mãe, dona dos negócios do seu pai. Muitas possibilidades lhe foram tiradas, mas a maior de todas não conseguiram, seus sonhos ainda eram vivos. Como diria Oswaldo Montenegro em sua canção "Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio"
O ambiente do Hospital era humilhante, dos tratamentos mais bárbaros que se possa imaginar. A vida era reduzida a nada, com pouca luz e higienização. Ratos eram donos da casa, faziam festa e se lambuzavam com os restos que sobravam. Este foi o lugar em que Conceição, desde os 15 anos, passou a viver. Numa época em que mulher não tinha muito direito, um grito de insatisfação era ecoado no meio de guardas raivosos, parecia quase que um insulto.
Foi vomitado naquele lugar toda raiva, injustiça e despreocupação com a vida alheia. Conceição jogava tudo pra fora como forma de se libertar das amarras impostas, pelo abandono e pelas negligências sofridas dentro de um local que deveria ser de acolhimento. Ninguém entendia aquela mulher, afinal, era apenas mais uma louca querendo aparecer.
A vida de Conceição Machado é exemplo de luta e coragem. É por ela e por tantos outros que tiveram seus direitos roubados, que nós, jovens de luta, trabalharemos nesse VER-SUS de inverno 2015 "Fazendo Ciranda na Roda da Loucura", desejosos de uma reforma psiquiátrica mais ativa, de uma RAPS efetiva e de qualidade. Partindo da vida de Conceição, queremos atingir outras vidas. Acolher outras histórias, dançar na ciranda da loucura, desconstruir paradigmas e lutar por uma saúde pra todos.
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| Trecho do livro de Daniela Arbex |

